Sunday, September 03, 2006




«Ao volante do Chevrolet pela estrada de Sintra, ao luar e ao sonho, na estrada deserta, sozinho guio, guio quase devagar, e um pouco me parece (ou me forço um pouco para que me pareça) que sigo por outra estrada, por outro sonho, por outro mundo, que sigo sem haver Lisboa deixada ou Sintra a que ir ter, que sigo, e que mais haverá em seguir senão não parar, mas seguir?
Vou passar a noite a Sintra por não poder passá-la em Lisboa, mas quando chegar a Sintra, terei pena de não ter ficado em Lisboa.....
Sempre esta inquietação sem propósito, sem nexo, sem consequência, sempre, sempre, sempre
Esta angústia excessiva do espírito por coisa nenhuma,
Na estrada de Sintra ou na estrada do sonho ou na estrada da vida.......
(...)
Na estrada de Sintra, perto da meia-noite ao luar, ao volante
Na estrada de Sintra, que cansaço da própria imaginação,
Na estrada de Sintra, cada vez mais perto de Sintra,
Na estrada de Sintra, cada vez menos perto de mim.....»
Fernando Pessoa por Álvaro de Campos

Desta vez deixei que o Pessoa escrevesse por mim....ele que tanto gostava de Sintra....e que parece que me conhece a mim também ....
Faço das palavras de Álvaro de Campos (heterónimo de Pessoa) as minhas mais sentidas palavras.....altero o Chevrolet para um Peugeot 206 e da data do poema de 1928 altero para 2006 e é o meu mais verdadeiro sentimento....eu sozinha na estrada de Sintra...com a Pena ao fundo, o Castelo dos Mouros a guardar e a fantástica Regaleira a preencher o meu imaginário

E ao ler este poema....sinto...como se eu o escrevesse....OBRIGADO FERNANDO PESSOA

1 Comments:

Blogger Trouble said...

Sintra para mim é amor... não viveria lá uma paixão que é demasiado sofrega, mas amor, esse que não passa, que surge sem esperarmos e se prolonga pelo resto da nossa vida... Sintra é a calma no meio da Natureza romântica e sublime
nb: quando a visito sem esperar estou a beijar o meu amado....

1:49 PM  

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