Friday, October 20, 2006

O Adamastor


O Mostrengo

O mostrengo que está no fundo do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
À roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,
E disse: "Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?
" E o homem do leme disse, tremendo:
"El-Rei D. João Segundo!"
"De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?
" Disse o mostrengo, e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso.
"Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?"
E o homem do leme tremeu, e disse:
"El-Rei D. João Segundo!"
Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes:
"Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um Povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!"

in Mensagem Parte II - Mar Português

É verdade Adamastor?
Passar por ti era uma prova de fogo...ainda hoje é .....
Acho que agora estás mais perto....não em África....mas aqui bem perto na praia do Abano (Guincho) no Parque Natural da Serra de Sintra....
Encontrei-te um dia destes ao pôr do sol! Por coincidência, ou não, era dia de Portugal...
Não te achei assustador como diziam os navegadores portugueses...talvez sejas apenas uma réplica do grande Adamastor....talvez sejas apenas uma imagem....talvez tenhas sido naquele dia a minha imaginação....talvez não sejas gigante....talvez não sejas o Adamastor...mas a tua imagem, tal como marcou as memórias dos navegadores ....vai marcar a minha memória...e a minha alma.... E AS IMPRESSOES NA ALMA SAO IMPOSSIVEIS DE APAGAR

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