
«Nós, as vítimas, perdemos a cabeça com elas porque os homens perdem a cabeça por elas. Não aguentamos que, sem articular palavra, elas nos dêem avanço, arrumem a um canto, matem a fome no ar. (...) E elas, sempre aí, tenazes no seu posto, a desafiar a lei da gravidade, em qualquer lado, a todo o momento, em cada esquina, nos liceus, nos balcões, nos aeroportos, nos ministérios, a crescerem e a multiplicarem-se sem tréguas. Tantas e tão impossíveis de exterminar como as ratazanas do Palácio Nacional de Mafra.(...) Consideramos a concorrência das boazonas a mais desleal, a mais injusta, a mais cobarde, a cruz mais pesada da nossa condição de mulheres. Não antevemos solução nem fim, nem conseguimos imaginar que o homem possa alguma vez criar imunidade. (...)Os homens correrão sempre para elas como os avançados atrás do esférico. Diante delas eles saltam e riem e batem palmas e babam-se e deixar cair os gelados e atiram-se das bancadas abaixo como crianças a ver golfinhos. E começamos a estar fartas (dois milhões de anos é muito tempo) de trocarem a nossa alma pelo corpo delas....»
Rita Ferro

2 Comments:
E o pior é eles iludirem-se por algo que náo é eterno... essas boazonas um dia vão cair desse pedestal e ai será que a alma se elevará no novo pedestal?
pois...mas entretanto vão sendo as rainhas do Reino....
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