Quando nos magoam para lá do que conseguimos suportar...

«Quando nos magoam para lá do que conseguimos suportar, reagimos com os mecanismos de defesa mais primários…
Quando a dor é tão gigante, que tudo o resto deixa de fazer sentido, queremos lá saber do politicamente correcto, daquilo que os outros acham ou vão dizer dos nossos gritos ou das nossas lágrimas públicas, e provavelmente agimos como sempre jurámos nunca agir.
…os psicanalistas acreditam que a dor remete-nos de novo para a infância e para as feridas abertas então e a que nem sequer soubemos dar nome….
….O que cai por terra é a prova – mais uma – de que não fomos capazes de ser (mais uma vez) o «melhor do mundo para alguém»…
Leva a que acreditemos que a culpa pelos abandonos e traições (dos maridos, mulheres, namorados, amigos, filhos, pais, etc) de que somos alvo nos pertence….A dor transforma-nos em crianças e arruma a racionalidade……….
E nessa irracionalidade crescente não aceita que pura e simplesmente há, nalguns casos, gente que não nos merece e, noutros, que merece tudo, mas já não nos ama….Aqueles a quem a traição reabriu feridas passadas, se não procurarem ajuda especializada, podem perder-se num labirinto de que é difícil sair: tendo decidido que não valem nada, que não suportam o vazio do abandono e autodestroem-se, mais ou menos lentamente….»
Isabel Stiwell

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